A ideia de proibição é interessante. Ela nasce quando a experiência de alguém tem resultados negativos e esse, com base nessa experiência, passa a definir determinadas atitudes, palavras ou ações como proibidas, na intenção de evitar os mesmos resultados. Ela existe para coibir a experiência pessoal dos indivíduos, considerando que os resultados dessa experiência serão sempre negativos, e não trarão benefícios nem para o novo experimentador e nem para os que o rodeiam. Para garantir que as proibições sejam cumpridas por todos, são apresentados os resultados negativos que a sua quebra poderá trazer, seja no mundo físico ou metafísico.
A vida nos mostra que algumas experiências nem sempre têm o mesmo resultado, pois este depende de muitos outros fatores não perceptíveis. Mesmo que a mudança seja ínfima, ainda assim, ela existe.
É na crença de encontrarem um resultado não previsto pela proibição que muitas pessoas se arriscam. Ora, comprovam o resultado esperado por todos; ora, acham o inesperado, o agradável, a luz. Estas pessoas são consideradas ousadas, inconseqüentes, irresponsáveis, marginais, loucas. No entanto, elas querem experimentar seus próprios resultados, lutando contra todas as estatísticas.
Existem vários níveis de proibições estabelecidas. A natureza nos impõe algumas, assim como a sociedade; as dificuldades; a abastança; a pobreza; a riqueza; a altitude; a profundidade; etc. Estamos rodeados delas. Não temos como fugir e nem rejeitar, pois cada uma tem o seu papel.
Para a sociedade as proibições são importantíssimas. Elas mantém a ordem, tem um papel uniformizador. Um papel de harmonizar o convívio, de definir limites comuns a todos. Isto é tão bom para o convívio, que criamos proibições para quase tudo. Mesmo assim, muitas proibições são quebradas, e nem sempre trazem os mesmos resultados. Uma chuva inesperada, uma migração de aves para lugares nunca antes previstos, uma morte, uma pessoa que sonega imposto de renda, uma que cheira pó, etc. Sempre existirão quebradores de regras, burladores de proibições. Algumas dessas atitudes, às avessas do esperado, trouxeram luz sobre algo, às vezes dezenas de anos depois, mas foi a atitude “inconseqüente” que despertou os demais para um nova possibilidade. Muitos “ousados” (de forma pejorativa) no passado, hoje são considerados “ousados” (com a idéia de brilhantes para sua época).
No final das contas, o que vai determinar se a quebra de determinada proibição será considerada uma atitude de “baderna” ou uma “visão”, serão os resultados. E como obter resultados diferentes para determinada proibição, se não arriscarmos quebrá-la? E como quebrá-la tendo a certeza da visão?

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